Data e hora de ligação à Internet, endereço de IP, nome e endereço do utilizador ou subscritor do serviço, localização de aparelhos móveis – são apenas alguns dos dados que, a partir desta quarta-feira, os operadores de telecomunicações passam a ter de guardar durante um ano, para o caso de um juiz requerer a informação. De fora desta medida fica todo o conteúdo das comunicações, cuja retenção continua a ser proibida.A legislação que quarta-feira em vigor veio inverter as regras. Até agora, esclarece o procurador da República e especialista Pedro Verdelho, os fornecedores de Internet estavam obrigados a destruir todos os dados das comunicações após a respectiva facturação. Só em eventuais casos de facturas não pagas as empresas podiam manter os dados até que ocorresse a cobrança.
A censura e a vigilância da Internet estão a aumentar a cada dia (Vale a pena ler mais sobre este assunto na OpenNet Initiative). A solução será, pelo menos, navegar anonimamente através da Internet. Existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para surfar incógnito, ou seja, contornar (circumvent) a vigilância. A utilização de algumas (senão todas) destas ferramentas acarreta alguns riscos. É importante entender as implicações da utilização destas ferramentas, sobretudo em relação às leis nacionais ou Europeias. Um conselho, desde já, é evitar a utilização de cartões de crédito nos proxies abertos anónimos.
Existe um documento do Citizen Lab, com o título Everyone's Guide to By-Passing Internet Censorship (English | 1,5 Mb), que vale a pena ser consultado. Ficamos a saber que existem 3 principais tecnologias para contornar a vigilância: Web-based Circumvention Systems; Tunneling Software; Anonymous Communications Systems.
Alguns dos mais utilizados proxies abertos são o Proxify, StupidCensorship, Browse Freely e Anonymouse. Como alternativa, pode instalar o software psiphon (installer para windows | 2,1 Mb; guia de instalação / utilização | 793 Kb) ou, de preferência, utilizar a instalação de pessoa de confiança. Este programa transforma os computadores pessoais em servidores seguros que permitem a outros utilizadores que vivem em locais censurados ou sob vigilância navegar na Internet anonimamente, mesmo para sítios bloqueados. Outro software recomendado que tem as mesmas, ou até mais, funcionalidades (mas é bem mais complicado para instalar e utilizar) é o Peacefire Circumventor.
Outra estratégia é a utilização de software de tunneling como o Ultrasurf, GPass, HTTP Tunnel ou o Free Gate. A ideia é criar um túnel encriptado até um servidor não filtrado ou censurado e a partir daí a navegação é feita de forma anónima. Eu utilizo frequentemente o Ultrasurf. Existem também alguns outros programas pagos com as mesmas funcionalidades, como por exemplo o Anonymizer, Guardster, Relakks ou o Ghost Surf. Eu testei o Anonymizer Anonymous Surfing e o Anonymizer Nyms. O primeiro protege o endereço de IP e o segundo permite criar email temporários para prevenir a identidade do utilizador. Mas, infelizemente, só funcionam com versões mais antigas dos browsers mais comuns.
Por último, restam as redes anónimas, sendo a mais comum a Tor, que eu também utilizo frequentemente. Outras redes são a JAP ANON e a I2P. Tor é uma rede gratuita e anónima que passa os pedidos Web através de uma série de routers de forma a tornar imposível identificar seja a origem ou o destino do pedido, tornando impossível a monitorização da navegação. A instalação é simples e o pacote inclui um componente para limpar os cookies depois de navegar sem deixar qualquer rastro. Para saber mais sobre o Tor, leia a vista geral. A vezes a rede é um pouco demorada. A imagem abaixo mostra a vasta rede de nós utilizada na Tor.
Este post utilizou muita informação disponilizada na Wikipedia, nomeadamente no artigo Proxy Server e o documento do Citizen Lab, Everyone's Guide to By-Passing Internet Censorship.
Navegue com segurança e privacidade!