Estratégia Oficial de Desinformação na Sociedade da Informação
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Apesar da escassez de estudos nacionais sobre a evolução da sociedade da informação em Portugal, cada vez são mais abundantes estudos comparativos internacionais provenientes de entidades como a União Europeia e a OCDE, que continuam a investigar e aprofundar o conhecimento sobre este tema, com destaque para as desigualdades digitais, os conteúdos digitais e a banda larga. Nestes estudos internacionais a posição de Portugal nos rankings não tem tido uma evolução positiva, ficando quase sempre relegado para o fim da lista, com a excepção do benchmarking dos serviços básicos de governo electrónicos definidos pela União Europeia.
Ao comentar estes estudos, o governo utiliza um padrão de resposta bastante característico, muito próximo da "wedge strategy" dos creacionistas americanos. O objectivo original desta estratégia era combater a Teoria da Evolução através da desinformação e da descontextualização do conhecimento científico sem apresentar evidências que dessem suporte aos argumentos contrários. A estratégia tem este nome, "Wedge", que quer dizer "cunha", porque tenta abrir fracturas no conhecimento científico para criar dúvidas e desviar a atenção da ônus da prova. Um caso clássico é a discussão à volta da evolução do olho. A conclusão dos creacionistas é que a ciência não consegue provar como estruturas complexas evoluem (sic!), neste caso os olhos, e, por isso, Deus existe. Os creacionistas utilizam dados descontextualizados e falácias para criar dúvidas sobre a solidez da ciência à volta da evolução do olho e não apresentam evidências que provem a sua teroria da criação divina.
Esta estratégia foi espectacularmente adaptada e utilizada massivamente pelo governo republicano do Presidente Bush para fomentar dúvidas em relação à ciênca de uma maneira geral, mas com ênfase no caso específico do aquecimento global. Em Portugal, o governo também adaptou e adoptou a mesma estratégia no caso da análise dos indicadores da sociedade da informação: Em primeiro lugar, o governo contradiz os valores negativos com argumentos que não se aplicam aos estudos apresentados e, seguidamente, desvaloriza os indicadores. Em segundo lugar, descontextualizam e ressaltam apenas os números positivos com o objectivo de desviar o ônus da prova. Em terceiro e último lugar, o governo não debate as questões relevantes e não apresenta soluções concretas baseadas em evidências.
Um bom exemplo da utilização desta esta estratégia foi a reacção do governo em relação ao estudo sobre a situação social na União Europeia (The Social Situation in the European Union 2007). Em primeiro lugar, o governo desvalorizou o estudo por estar desactualizado e culpou o INE por enviar dados incorrectos. Em segundo lugar, afirmou que os novos dados enviados pelo INE alteravam significativamente a posição de Portugal no Ranking da desigualdade e que, na realidade, a desigualdade estava a diminiuir em Portugal. Por último, o governo evitou debater este assunto e esperou que a notícia arrefecesse naturalmente. A verdade é que mesmo com os dados corrigidos, já disponíveis no Eurostat para 2006, Portugal continua na cauda da Europa. Aliás, Portugal passou da 24ª posição para a 26ª, subindo um lugar por troca com a Letónia, mas perdendo três posições com a entrada directa de Malta, da Bulgária e da Roménia.
Um caso de estudo mais recente de desinformação está patente no artigo do Público sobre a banda larga (30/05/2008, pág. 47) a comentar o estudo "The Broadband Efficiency Index: What Really Drives Broadband Adoption Across the OECD?" recentemente publicado pela OCDE..
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